A nova coletânea do poeta Luiz Pinheiro é pura poesia com fraternura. Além disso, é poesia para esperançar
a teimosia da arte que vibra com a vida e com a singeleza de cada novo amanhecer ou entardecer.
A sensibilidade dos temas do cotidiano, com os mais variados rostos e experiências, é um convite
a refletir para além das aparências. Com palavras simples e frases minuciosamente ritmadas com a
fineza da rima oportuna, o renomado escritor brinda-nos com mais essa preciosidade que nos chega
com as texturas do cerrado e as resistências nordestinas.
São poemas escritos com alma, na leveza do beija-flor, sem perderem a firmeza da profecia e da
denúncia, como bem retratado no poema acertadamente intitulado “Jamais”. Apresenta, com delicadeza,
as atividades e experiências comuns que ocorrem regularmente na vida de mulheres fortes e
decididas que não têm nada de fragilidade. Muito pelo contrário.
Os detalhes descritos em poemas, como “Crocheteira”, revelam um poeta maduro e já acostumado
com a arte de misturar palavras e vidas como quem prepara uma salada de folhas combinadas com
todos os sabores dos temperos frescos colhidos no jardim da vida. Cada poema é um convite a viver
novas sensações e emoções.
A dignidade humana e a reafirmação dos direitos são seguidas pela proposta do coletivo que fortalece
e reafirma a participação popular como força transformadora da sociedade. Estas abordagens
ampliam o alcance da poesia para muito além da literatura que, por si só, já abraça o mundo.
Os temas existenciais, passado e futuro, são recorrentes em cada sessão. O poema “Não há mais”
consegue misturar solidão, saudades e projetos de vida como ninguém jamais conseguiu tecer em
palavras tão sábias e acertadas.
A tecitura é uma característica deste poeta que se apresenta com a serenidade da sabedoria dos
anos que a vida lhe deu e que foram tão profundamente vividos. A experiência poética tem tornado
Luiz Pinheiro um verdadeiro intérprete da realidade.
Quando fala da vocação franciscana vivida pelos capuchinhos no poema “Capuchinho simplesmente”,
o autor faz-nos recordar o grande escritor latino-americano Eduardo Galeano que possuía uma notável
capacidade de usar o humor, incluindo o sarcasmo e a autodepreciação, para abordar temas sérios e
complexos. Essa habilidade não apenas tornava sua escrita mais acessível, mas também permitia que ele
criticasse o poder e a injustiça de forma mais eficaz, envolvendo o leitor em uma reflexão crítica.
Assim, Luiz Pinheiro Sampaio conclui mais esta coleção de poemas com sua habitual “gratidão”
como também a fazia outra inesquecível poeta latino-americana Violeta Parra, eternizada na voz rouca
e potente de Mercedes Sosa em “Gracias a la vida”. Resta-nos apresentar nossa imensa gratidão ao
poeta de nosso chão que, definitivamente, se associa aos grandes poetas deste enorme continente.
| Autor | |
|---|---|
| Acabamento | |
| ISBN | 9786552535160 |
| Formato do livro digital | |
| Número de páginas | 70 |